Pies para que los quiero

si tengo alas para volar.

Frida Kahlo

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Carta ao Verão


Querido verão,

Eu tinha vergonha de te escrever esta carta. Ou qualquer carta. Tenho vergonha porque não existe nada mais fora de moda do que uma carta. Talvez só uma carta de amor.

Eu não me lembro quantos anos tinha. Mas lembro-me do que causaste em mim quando nos conhecemos. Numa praia algures, ensinaste-me que com areia se podem fazer castelos. Eu vi logo que tínhamos algo em comum. Eras intenso e descontraído. Vivo e alegre. Ninguém dava por ti a chegar mas quando chegavas era impossível não reparar. Contagiavas toda a gente. Eu não conseguia perceber se tinha inveja ou admiração, talvez as duas e, agora sei, amor à mistura.

Lembro-me que foste tu que me fizeste perder a vergonha de dançar em público. De fazer novos amigos. Contigo, fiz as minhas maiores loucuras. Já apanhei boleias de caravana de estranhos, já fui mergulhar no mar à noite, já saí da discoteca para a praia e da praia para a discoteca sem pensar em dormir. Não tardou muito para perceber que seria impossível viver sem ti. Desde então, tenho-te perseguido pelo mundo. Estive no México este ano só para te ver.

Sempre me fizeste sentir bonita, ou fico mais bonita porque estás lá e estou mais feliz.

Tudo o que já vivemos, que para mim é uma montanha russa de emoções, sentidos e memórias, para ti deve ser um passeio de carrossel.

Espero não parecer neurótica se disser que penso em ti o ano inteiro. E sei que, como eu, tens tantas fãs e até o hashtag mais nostálgico e repetido do instagram: #voltaverao.

Persigo-te nas redes sociais e vejo como andas pelo mundo. Não vou dizer que não sofro com as fotografias que vejo tuas de Bali e de Ibiza. Não sei se sou só mais uma para ti, provavelmente serei, mas quando estamos juntos sinto-me a única no mundo. Quis agarrar-te várias vezes, para ficares comigo para sempre. Mas tu não és assim, e é também por isso que gosto tanto de ti. Sempre foste fugitivo e aventureiro. E sempre soubeste qual a dose certa para me fazeres ficar a morrer de saudades.

Sei que ficaste desiludido comigo há uns tempos quando me envolvi com o Inverno. Mas foi ele que me seduziu com as mantas e lareiras, os filmes e os chocolates. Não significou nada e não foi nada comparado contigo, juro. Foi pela segurança e pelo conforto. Nunca fez bater o meu coração como tu fazes. O que pode ser mais romântico do que os nossos mergulhos, o peixe grelhado à beira mar, os piqueniques, o pôr do sol?

Ninguém é como tu. A Primavera e o Outono tentam imitar-te, mas não te chegam aos calcanhares. Tu, com quem janto com a luz do sol e nado com a luz da lua, tu, que me pões sal no cabelo e areia no corpo. Tu, que me fazes andar livre de horas, roupas e compromissos. Tu, que és de poucas palavras e muitos sonhos, de pouca fala e muita dança.

Agora vens outra vez, daqui a uns dias, e não penso noutra coisa. Como será quando nos reencontrarmos. Quantas noites debaixo das estrelas, quantos passeios de barco viveremos. E mal posso esperar. Já tenho o bikini pronto à espera que me venhas buscar para a nossa história recomeçar.

Uma história de amor verdadeiro que começou numa praia algures, quando me ensinaste que com areia se podem fazer castelos.

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